Sindicato dos Trabalhaores nas Indústrias Plásticas Descartáveis e Flexíveis, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região

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Perícia do INSS deixa mais dois trabalhadores sem salários

27 Agosto, 2013

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Mais dois trabalhadores da indústria plástica de Criciúma vão começar o mês de setembro sem salários para manter suas famílias, agravando seus estados de saúde, tanto física quanto mental. Os dois, com mais de 20 anos de trabalho prestados à mesma empresa, tiveram rejeitados seus benefícios de auxílio doença pela perícia médica do INSS e os médicos da indústria não reconhecem que estejam recuperados, aptos ao retorno às suas atividades, como operadores de máquinas.

“Esta é uma dura realidade a que estão submetidos os trabalhadores; estes são mais dois casos de homens que dedicaram metade de suas vidas para produzir em uma indústria e a contribuir com o INSS e quando ficam doentes, por causa do trabalho, são abandonados, ficam sem recursos, até, para manter suas próprias famílias”, comenta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região, Carlos de Cordes, o Dé. A assessoria jurídica do sindicato estuda instrumentos jurídicos para reverter as situações.

Jeferson Roberto dos Santos, 42 anos, casado, pais de dois filhos, enfrentava problemas psicológicos há anos, chegou a ter dois acidentes de trabalho, atentar contra a própria vida e a depressão lhe afastou do trabalho em março deste ano, quando passou a receber auxílio doença. Volnei Paes Constante, 45 anos, casad0, dois filhos, foi afastado da função de operador de máquina de corte e solda em dezembro do ano passado. Tem hérnia de disco e precisa de cirurgia na coluna vertebral. Está, desde então, na fila de espera, com 34 pacientes à sua frente.

Nesta semana os dois retornaram ao INSS para perícia. Jeferson de posse de relatório de psiquiatra do Caps III, atestando que não tem condições de retornar às atividades normais, por conta do “quadro depressivo grave” e pelo uso de medicamentos como fluxotina, lítio, clonazepam e prometazina. O psiquiatra entende ser necessário mais 60 dias para ajustes no tratamento e recuperação do paciente.

“O perito disse que se eu estava ali, na frente dele, tinha condições de voltar ao trabalho”, conta Jeferson, indignado, com as mãos trêmulas e pedindo desculpas para se retirar da sala, pois começava a ficar sem controle da situação. O paciente tem “alterações de pensamento”, define o psiquiatra, para justificar a medicação e necessidade do tratamento.

Volnei Paes Constante, conta que “não posso ficar muito tempo em uma mesma posição, seja em pé, sentado ou mesmo deitado e preciso fazer a cirurgia para não perder os movimentos das pernas e, agora, fico em situação difícil, pois a perícia manda que volte a trabalhar sem ter condições físicas para isto e o médico da empresa não me deixa voltar para o trabalho; como é que vou sustentar minha família?”, questiona.

O vice-presidente do sindicato dos trabalhadores plásticos, químicos e farmacêuticos, Joel Bittencourt, que acompanha os casos e busca alternativas, ressalta que uma das saídas estudadas pela diretoria do sindicato é incluir cláusula na próxima convenção coletiva que responsabilize as empresas ao pagamento dos salários dos trabalhadores enquanto perdurar divergência entre pareceres de médicos das empresa e do INSS. “Mais esta conta não pode ser paga pelo trabalhador”, resume Joel.
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