30 Novembro, 2011
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Um total de 92 trabalhadores da Indústria de Embalagens Plásticas Guará Ltda, instalada no bairro Quarta Linha, vão dividir R$ 650 mil, referentes a um acordo que decidiram aceitar com a direção da empresa para quitar direitos trabalhistas não pagos desde dezembro de 2005. O acordo é resultado de Ação Coletiva requerida, em dezembro de 2007, pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região, representando os profissionais.
“Este foi o décimo acordo que trabalhadores da região firmam e temos outras 30 ações tramitando na justiça; desde setembro do ano passado esse tipo de ação da diretoria do sindicato já beneficiou quase dois mil trabalhadores e no total são mais de R$ 10 milhões que os trabalhadores receberão”, comemorou o presidente do sindicato, Carlos de Cordes, o Dé, após a última assembléia com os trabalhadores da Guará, na noite de terça-feira, quando, por unanimidade, o acordo articulado pela diretoria do sindicato com a empresa foi aceito.
Na Guará, a exemplo do que já foi decidido em outras nove empresas da região, os patrões pagavam apenas o adicional de insalubridade (20% do salário mínimo) ou nem isso e eram raros os casos de pagarem adicional de periculosidade (30% do salário do profissional). A partir de 2006, com a entrada em vigor de nova decisão do STF que permitiu os sindicatos atuarem como representantes dos trabalhadores em ações coletivas, esse cenário começou a mudar. Essa previsão, desde então, passou a integrar o acordo coletivo da categoria, por exigência do sindicato profissional.
“Na justiça temos conquistado a realização de perícias que comprovam, tecnicamente, a que tipo de condição de trabalho o profissional está submetido; até aqui, em todas as ações em que isso ocorreu, foi constatado que os trabalhadores deixaram de receber ao longo dos anos o adicional de periculosidade ou de insalubridade e esses direitos estão sendo resgatados”, ilustra Carlos de Cordes. Além disso, salienta, a partir dessa constatação as empresas passam a pagar aquilo que cada trabalhador tem direito.
Como fica constatado o direito e a sentença de mérito é apenas questão de tempo, as empresas têm procurado o sindicato e feito propostas de acordo, que são apresentadas aos trabalhadores interessados, em assembléias. Entre os profissionais da Guará, por exemplo, 44 que têm direito a valores que totalizam até R$ 4,5 mil, terão a dívida liquidada no próximo dia 20. Os demais receberão em 26 parcelas iguais e sucessivas a partir de 20 de janeiro. O de maior crédito acumula mais de R$ 34 mil.
Ademir Borges, 37 anos, trabalha há 17 anos na Guará. Entrou como auxiliar de impressão e hoje é impressor. Ele participou da assembléia de terça-feira e tem motivos de sobra para comemorar. “É um dinheiro que a gente nem sabia que tinha direito, era um dinheiro perdido, não fosse o sindicato mover a ação e nos dar esse presente de fim de ano”, disse o impressor. Com um crédito entre os maiores, Ademir já definiu como investirá os recursos: na casa de praia, no Balneário Rincão, que acaba de comprar.
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